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Segunda-feira, Setembro 15, 2003
Posted
8:02 PM
by Lecarva
Presença
A palavra que passa
Como uma ave insólita
Voando sem rumo.
Deus sabe o rumo
Conhece as rotas
Deus sabe
Do vento
De Maria Alice
De Mariana.
Da cunha do futuro
Deus olha
Os olhos de Luana
Os olhos de Deize
A luta de Ana Francisca Guimarães de Souza Dias Pessoa
E o chopp amargo de barnabé Paulo de Tarso
A crise do beduíno Al Helal
A festa na cobertura do empreendedor Jeová
E os últimos minutos do anônimo Guimarães
Na polpa do espelho
Deus medita
Sobre a dor infinita do texugo
Sobre a dor do apaixonado que perdeu a amada
Da amada olhando sozinha o horizonte
No entardecer, onde o casal velhinho envelhece de mãos dadas
Deus é abissal
Mas pode ser visualizado
Basta olhar
Dentro do nada
Na bolha de ar
Depois do vôo da última águia.
by Newton Lecarva
Domingo, Setembro 14, 2003
Posted
7:16 PM
by Lecarva
Na Poeira
No olho da poeira, a minha vida
Se dissolve...E é só mais uma vida
Nessa planície nua com a aspereza de pedra polida.
Vasculhei cada polegada
Viajei por dentro
Bebi meu próprio sangue
E não desfiz o novelo dos descaminhos.
Não, não estou perdido! Nem sei se presente estou,
Se o meu reflexo nessa voragem é real
Se a minha cabeça de nuvem não se desfará na lépida brisa,
Enquanto medito no coração da hora vazia,
Enquanto o gelo ilhado derrete-se no lago de uísque
Enquanto a Xuxa não vem,
Enquanto as rugas voejam como velhas borboletas
Enquanto não escuto o violão afinando o concerto da noite.
Mas, no entanto, é tudo mais e que voem as borboletas e soprem os furacões!!
Sexta-feira, Setembro 12, 2003
Posted
12:38 AM
by Lecarva
Tempo
Tenho o tempo,
mas o tempo também me tem.
Na fluidez dessa indecisão,
entre os muros oleosos,
observando a minha indiferença em branca fuga.
Que voem os abutres
e rondem as feras
nessa paisagem erma e silenciosa.
Não importa. Mesmo que o tempo se vá
e tudo em volta se desfaça,
e tudo se dissolva em orgasmo e larva,
restará um prato vazio, a saciar
minha boca vazia,
meu coração vazio.
by Newton Lecarva
Posted
12:11 AM
by Lecarva
Meio sem Caminho
Eu não sei,
nunca soube
e irei sem saber.
Talvez um dia
a voracidade do nada,
devolva-me a esperança.
Aí serei alguém,
ruminarei o meu ego
como um herói de verão
No mesmo passo de alguém que passa
vendo as vitrines das velhas feridas
na espuma desse meio-dia em meio à vida.
by Newton Lecarva
Quarta-feira, Setembro 03, 2003
Posted
10:51 PM
by Lecarva
Dia de chuva
Era só chuva,
Nada mais.
Essa cor do céu,
O sorriso dela tímido e triste.
Esse espreguiçar do vento úmido
E os que deixaram esse mundo e brilham no coração da minha memória
Como se o sangue fosse vinho e o vinho fosse sangue
E a luz riscasse o extrato das sombras estratificadas.
Como se sorriso triste e tímido dela fosse se diluindo...
Como se ela partisse...
Mas era só chuva,
Dia de chuva, nada mais.
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