Café do Vento



Despedida


Do que sou
nada sou
e minha face pinga sobre as pedras do dia

Nesse encrave de imenso sol,
sua doçura passeia de rosa e branco
e nem preciso repetir no silêncio das palavras que te amo.

Você sabe
eu sei
nesse abraço de nossas palavras doloridas

Doloridas de uma dor que não dói
apenas lembra, que na nossa fuga, esquecemos a fogueira acesa,
mudas estrelas como testemunhas...

E lembra que o sol
voltará ao seu sorriso
e eu voltarei ao meu Posto de Gasolina. A vida continua....



Jardim


Compro da tarde
A poesia,
Escrevo esse meu verso quieto
Para que fiques um pouco comigo

É que a tarde ainda está úmida,
Depois de um fria e nevoenta manhã,
Mas agora há luminosidade, o discreto azul do céu.
Enquanto, sem rumo, me movo dentro da lógica estabelecida

Deslizo no asfalto molhado sem medo,
Mesmo com tanta água não há magoa
E descubro no conflito silencioso da minha vida
Que não há solução para o amor que se arranchou em minha alma.

Não há remédio. Não há. O destino que não se equivoque
Sou eu quem cuida dessas flores imaginárias, no vão desse impossível jardim
Com a mesma paciência de jardineiro que não se fatiga do seu ofício
E essa é a minha vida, esse o meu viver...




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